Espião russo usa passaporte brasileiro para tentar entrar no Tribunal Penal Internacional

Espião russo tentou entrar no prédio do Tribunal Penal Internacional que Piroschka van de Wouw/Reuters - 31/03/2021 O serviço de inteligência da Holanda informou, nesta quinta-feira (16), que impediu, em abril, um espião russo de acessar o Tribunal Penal Internacional, com sede na cidade holandesa de Haia. O objetivo do suspeito seria investigar supostos crimes de guerra cometidos desde o início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro. O espião usava um passaporte brasileiro com o nome  de Viktor Muller Ferreira e data de nascimento 4 de abril de 1989, mas na verdade ele se chama Sergey Vladimirovich Cherkasov, nascido em 11 de setembro de 1985. Leia também ONU eleva para 3.309 número de civis mortos na guerra na Ucrânia Soldado russo julgado por crimes de guerra é condenado à prisão perpétua 'Fui sequestrado pelos russos como exemplo', diz prefeito de Melitopol O espião russo foi considerado uma "ameaça à segurança nacional" e teve a sua entrada na Holanda negada e foi enviando de volta ao Brasil no primeiro voo com saída de Amsterdã. O homem em questão planejava iniciar um trabalho no Tribunal Penal Internacional, o que lhe daria acesso ao prédio e aos sistemas do tribunal internacional. Segundo o serviço de inteligência da Holanda, ele usava uma "identidade falsa bem construída que escondia todos os vínculos com a Rússia em geral e com a inteligência militar russa em particular".  Veja também Internacional Crimes de guerra: uma violação grave e geralmente impune Internacional Ucrânia diz que tropas russas promoveram massacre deliberado de civis em Bucha Internacional Assembleia-geral da ONU suspende Rússia do Conselho de Direitos Humanos "Se o oficial de inteligência tivesse obtido acesso ao Tribunal Penal Internacional, ele teria sido capaz de reunir informações e buscar (ou recrutar) fontes e organizar o acesso aos sistemas digitais da corte" e influenciado os procedimentos criminais, disse o serviço de inteligência holandês. Esta não é a primeira vez que a Holanda expulsa espiões russos. Uma das ocasiões mais controversas foi em 2018, quando deportou quatro agentes dos serviços secretos russos que planejavam atacar, em uma época de investigações-chave envolvendo Moscou, a rede de internet da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), também em Haia. Em março deste ano, o governo holandês expulsou 17 "oficiais de inteligência" de Moscou que estavam ligados a representações russas na Holanda "sob cobertura diplomática" e argumentou que a presença desses espiões no país é "uma ameaça à segurança nacional". Nem a Rússia nem a Ucrânia são membros do tribunal, mas Kiev aceitou a jurisdição do Tribunal e está trabalhando com a Promotoria na investigação de possíveis crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em território ucraniano.

Espião russo usa passaporte brasileiro para tentar entrar no Tribunal Penal Internacional
Espião russo tentou entrar no prédio do Tribunal Penal Internacional que
Espião russo tentou entrar no prédio do Tribunal Penal Internacional que Piroschka van de Wouw/Reuters - 31/03/2021

O serviço de inteligência da Holanda informou, nesta quinta-feira (16), que impediu, em abril, um espião russo de acessar o Tribunal Penal Internacional, com sede na cidade holandesa de Haia. O objetivo do suspeito seria investigar supostos crimes de guerra cometidos desde o início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

O espião usava um passaporte brasileiro com o nome  de Viktor Muller Ferreira e data de nascimento 4 de abril de 1989, mas na verdade ele se chama Sergey Vladimirovich Cherkasov, nascido em 11 de setembro de 1985.

O espião russo foi considerado uma "ameaça à segurança nacional" e teve a sua entrada na Holanda negada e foi enviando de volta ao Brasil no primeiro voo com saída de Amsterdã.

O homem em questão planejava iniciar um trabalho no Tribunal Penal Internacional, o que lhe daria acesso ao prédio e aos sistemas do tribunal internacional. Segundo o serviço de inteligência da Holanda, ele usava uma "identidade falsa bem construída que escondia todos os vínculos com a Rússia em geral e com a inteligência militar russa em particular". 

"Se o oficial de inteligência tivesse obtido acesso ao Tribunal Penal Internacional, ele teria sido capaz de reunir informações e buscar (ou recrutar) fontes e organizar o acesso aos sistemas digitais da corte" e influenciado os procedimentos criminais, disse o serviço de inteligência holandês.

Esta não é a primeira vez que a Holanda expulsa espiões russos. Uma das ocasiões mais controversas foi em 2018, quando deportou quatro agentes dos serviços secretos russos que planejavam atacar, em uma época de investigações-chave envolvendo Moscou, a rede de internet da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), também em Haia.

Em março deste ano, o governo holandês expulsou 17 "oficiais de inteligência" de Moscou que estavam ligados a representações russas na Holanda "sob cobertura diplomática" e argumentou que a presença desses espiões no país é "uma ameaça à segurança nacional".

Nem a Rússia nem a Ucrânia são membros do tribunal, mas Kiev aceitou a jurisdição do Tribunal e está trabalhando com a Promotoria na investigação de possíveis crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em território ucraniano.